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Espiritismo

DESAFIOS DA FÉ

 

A sociedade hedonista atual, vinculada ao consumismo exorbitante, no qual parece encontrar segurança em relação aos conflitos existenciais, mantém atávica resistência a todas e quaisquer expressões de fé religiosa, buscando mecanismos de fuga da realidade, como afirmação de liberdade de expressão e de autorrealização.

Nada obstante, avança em desabalada correria para as fugas psicológicas, tombando, não poucas vezes, no vazio existencial, na depressão ou no consumo do álcool, do tabaco, das drogas ilícitas, dos alucinógenos e dos desvios de comportamento sexual.

As castrações decorrentes das religiões ortodoxas do passado prosseguem afligindo-a de tal forma, que a simples lembrança de qualquer expressão doutrinária indu-la ao pensamento das imposições asselvajadas dos regimes políticos ditatoriais, ou quando se referem ao Espírito, ressuma inconsciente aversão, decorrente dos abusos da fé arbitrária dos tempos recuados.

Pensa-se unicamente em viver-se as comodidades defluentes da tecnologia e das ciências, sem dúvida, portadoras de valores inestimáveis, mas nem por isso, únicas proporcionadoras de harmonia e de completude.

O ser humano renasce para a conquista da autoconsciência, para a superação dos arquétipos perturbadores que lhe permanecem no inconsciente impondo diretrizes de libertação que mais o afligem.

O prazer tornou-se o novo deus, substituindo os deuses de outrora, e os ases dos esportes, do cinema, da televisão, do poder, dos divertimentos, das fantasias, tornam-se inspiração para as buscas atormentadoras, gerando mais conflitos que se tornam epidêmicos.

Eles próprios, os novos centuriões e gladiadores do Panis et circenses da velha Roma, desfilam nos carros da alucinação e da glória de um dia, logo substituídos por outros mais audaciosos, inumeráveis deles, porém, portadores de graves transtornos psicológicos e psiquiátricos, que se opõem à ordem, à beleza, à estesia, celebrizando-se pelas alucinações e agressões que lhes retratam a violência e o desconforto interno.

Pergunta-se: - Para onde segue a sociedade?

Os padrões éticos destroçam-se nas aventuras chocantes e desastrosas em que malogram os novos programadores dos destinos, dando lugar a tragédias contínuas, à violência e à degradação dos costumes.

A juventude, sem a assistência da família, opta pelo aproveitamento do tempo para o desordenado jogo do prazer, especialmente quando os pais imaturos competem com os filhos nos seus campeonatos de insensatez, entregando-se à exaustão dos vícios, perdendo a infância que cede lugar ao amadurecimento precoce, invariavelmente resultado da necessidade de competir desde muito cedo com os mais velhos, aproveitando-se das oportunidades que lhes chegam... Os tormentos sexuais instalam-se-lhes prematuramente e as experiências dessa natureza sucedem-se, sem qualquer controle, atingindo níveis de elevada frustração e de desencanto.

Sem o amparo do lar, os jovens formam clãs primitivos, fogem para as ruas do desgoverno social, entregando-se, na sua ignorância, curiosidade e inexperiência a toda sorte de sensações apressadas.

Certamente, existem exceções enobrecedoras, que mantêm o equilíbrio social e trabalham pelo progresso com elevados sentimentos morais.

Referimo-nos, porém, à devastadora cultura newtoniana e cartesiana estruturada no conceito da matéria, cuja máquina expressa na organização física dos seres de todas as espécies, demanda ao aniquilamento, em razão do desconserto de suas peças.

Como efeito, somente apresenta validade o que pode ser apalpado, medido, programado, exatamente no momento quando as conquistas da tecnologia avançada oferecem à reflexão o bóson de Higgs, o mapeamento do DNA ou código da vida, a visão do universo com os seus bilhões de galáxias, induzindo o pensamento a uma Causalidade não física ou a uma assinatura de Deus nas expressões mais extraordinárias da energia.

A alucinação pelo conforto, no entanto, sempre transitório e frustrante, em razão da sua fugacidade, que logo exige novas expressões mais fortes, deixa o indivíduo distante dessas referências que induzem ao aprofundamento da mente nas causas da vida e no seu significado, mantendo-o iludido quanto ao sentido da sua existência planetária que, não sendo interrompida pela morte, para ela ruma...

Desse modo, quando as forças físicas e mentais, emocionais e estruturais do corpo diminuem com o advento das enfermidades inevitáveis e da velhice, a amargura, a revolta ou o desespero mais se insculpem no âmago do indivíduo, que não se conforma com o aniquilamento, nem a perda dos recursos propiciatórios dos gozos, agora, mais difíceis...

Para todos os seres humanos, entretanto, existe o Espiritismo com as suas portentosas demonstrações positivistas em torno da sobrevivência do ser real, em torno do mundo legítimo e causal, da programática existencial no cômputo das leis universais perfeitas, elaboradas pela inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas, que é Deus.

Aos espíritas cabe a desafiadora tarefa de apresentar a fé raciocinada e lógica legada pela codificação do Espiritismo, de maneira a enfrentar o materialismo nos seus significativos estertores, de maneira a atender a grande massa humana aturdida por haver perdido o rumo religioso na neblina da ignorância e do dogmatismo.

Observando-se o interesse dos astrofísicos em constatar a probabilidade de vida em outros planetas ou quaisquer outros astros do Universo, qual ocorre com as extraordinárias análises do solo de Marte, ora estudado pelo jipe robô Curiosity, deve o ser humano reflexionar em torno da vida de maneira mais grave e não superficialmente com indiferença qual vem ocorrendo com a quase generalidade.

Breve meditação em torno do ser existencial e logo chega-se à conclusão do sentido da vida na Terra, do seu magnífico programa educacional e de desenvolvimento da divina fagulha de que se constitui, despertando-se para os valores éticos e os objetivos reais, proporcionadores da harmonia interior e do equilíbrio dos sentimentos com a razão.

A existência terrena é mais do que um licor ou fel para serem tragados pela imposição nefasta do acaso ou do destino injustificável.

Pode, sim, tornar-se uma e outra coisa dependendo de como se considera a experiência fantástica do viver, dela fazendo um vale de lágrimas das ultrapassadas alegorias religiosas ou um paraíso de benesses das utopias passadistas...

Desse modo, esta filosofia científica, em razão dos seus fundamentos poderem ser demonstrados nos laboratórios das experiências mediúnicas, que é uma ciência filosófica, face aos seus paradigmas elucidativos em torno do ser, do destino e do sofrimento, é, também, uma religião de profundos conteúdos psicológicos e éticos centrados no amor, na autoconquista, na iluminação interior.

Investigá-la com seriedade sem parcialismo é dever de todo ser inteligente que anela pela autoconsciência, a fim de viver com discernimento e harmonia.

( Espírito Vianna de Carvalho - Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na manhã de 27 de outubro de 2012, em Sydney, Austrália).

PANOS ESPIRITUAIS e a MEDICINA TERRENA


Como é considerada nos planos espirituais a medicina terrena?

Emmanuel - A medicina humana, compreendida e aplicada dentro de suas finalidades superiores, constitui uma nobre missão espiritual.

O médico honesto e sincero, amigo da verdade e dedicado ao bem é um apóstolo da Providência Divina, da qual recebe a precisa assistência e inspiração, sejam quais forem os princípios religiosos por ele esposados na vida.

– Em face dos esforços da Medicina, como devemos considerar a saúde?

Emmanuel - Para o homem da Terra, a saúde pode significar o equilíbrio perfeito dos órgãos materiais; para o plano espiritual, todavia, a saúde é a perfeita harmonia da alma, para obtenção da qual, muitas vezes, há necessidade da contribuição preciosa das moléstias e deficiências transitórias da Terra.

– Toda moléstia do corpo tem ascendentes espirituais?

Emmanuel - As chagas da alma se manifestam através do envoltório humano. O corpo doente reflete o panorama interior do espírito enfermo. A patogenia é um conjunto de inferioridades do aparelho psíquico.

E é ainda na alma que reside a fonte primária de todos os recursos medicamentosos definitivos. A assistência farmacêutica do mundo não pode remover as causas transcendentes do caráter mórbido dos indivíduos. O remédio eficaz está na ação do próprio espírito enfermiço.

Podeis objetar que as injeções e os comprimidos suprimem a dor; todavia, o mal ressurgirá mais tarde nas células do corpo. Indagareis, aflitos, quanto às moléstias incuráveis pela ciência da Terra e eu vos direi que a reencarnação, em si mesma, nas circunstâncias do mundo envelhecido nos abusos, já representa uma estação de tratamento e de cura e que há enfermidades d'alma, tão persistentes, que podem reclamar várias estações sucessivas, com a mesma intensidade nos processos regeneradores.

– Se as enfermidades são de origem espiritual, é justo a aplicação dos medicamentos humanos, a cirurgia etc, etc?

Emmanuel - O homem deve mobilizar todos os recursos ao seu alcance, em favor do seu equilíbrio orgânico. Por muito tempo ainda, a Humanidade não poderá prescindir da contribuição do clínico, do cirurgião e do farmacêutico, missionários do bem coletivo. O homem tratará da saúde do corpo, até que aprenda a preservá-lo e defendê-lo, conservando a preciosa saúde de sua alma.

Acima de tudo, temos de reconhecer que os serviços de defesa das energias orgânicas, nos processos humanos, como atualmente se verificam, asseguram a estabilidade de uma grande oficina de esforços santificadores no mundo.

Quando, porém, o homem espiritual dominar o homem físico, os elementos medicamentosos da Terra estarão transformados na excelência dos recursos psíquicos e essa grande oficina achar-se-á elevada a santuário de forças e possibilidades espirituais junto das almas.

(Do livro 'O Consolador' - Pelo Espírito Emmanuel, psicografia Francisco Cândido Xavier - Questões 94 a 97 - Ed. FEB.)

FAÇA A DIFERENÇA

 

 

 

 

Para você, o que significa ser espiritualista? Sabemos que existe algo além da matéria, que o espírito transcende o corpo, e tudo mais, mas e daí? Como todo este conhecimento influencia sua vida?

Vivemos uma crise generalizada de valores. Em nosso cotidiano, somos o tempo todo “bombardeados” por ideias e sugestões que despertam cada vez mais o lado obscuro de nossa personalidade. Atitudes que deveriam ser comuns entre as pessoas, como o respeito, a caridade e a compaixão, dificilmente são vivenciadas.

A maior parte daquilo que chega até nós através da mídia, em vez de ser uma proposta de educação da alma, no sentido mais profundo do termo, é um verdadeiro convite ao despertar das paixões inferiores, responsáveis por tanta violência e sofrimento no mundo. E então… qual é o nosso papel diante deste quadro?

Proponho uma reflexão acerca de nossas atitudes como espiritualistas, com relação aos ideais que defendemos, à comunidade religiosa que convivemos e como vivenciamos tudo isso na sociedade como um todo.

Pra começar, devemos evitar todo tipo de excesso. Fanatismo religioso e arrogância intelectual são sinais de falta de espiritualidade. Muitos espiritualistas desfilam como enciclopédias ambulantes, citando nomes e mais nomes de filósofos e sábios, ou trechos e mais trechos de obras doutrinárias decoradas, com a mente abarrotada de informação e o coração vazio de amor. Vangloriam-se do conhecimento acumulado, mas não percebem a vaidade e ilusão em que estão vivendo. Defendem a supremacia de sua doutrina sem saber que podemos aprender com os ensinamentos de todas as religiões. Não sabem que a essência de todas elas é a mesma, o que muda é apenas a forma, os cultos, de acordo com a cultura dos povos. Em vez de compreenderem a profundidade daquilo que defendem, fazem de seu modo de entender a única verdade.

O espiritualista perante a sociedade

Muitos não têm noção de como os centros espíritas, igrejas, sinagogas, mesquitas, templos de umbanda, etc. são importantes, e nem imaginam a profundidade dos trabalhos espirituais que neles são realizados. São verdadeiros hospitais da alma, onde complexos dramas obsessivos e perturbações de toda ordem são sanados. A maioria dos frequentadores não percebe o que acontece nos “bastidores”, onde os espíritos que respondem pelos trabalhos socorristas da casa atuam de forma abnegada.

Imperfeitos, mas com boa vontade, nós precisamos vencer a timidez e o comodismo e nos unirmos acima dos rótulos religiosos, manifestando por meio de palavras, e sobretudo, pelo comportamento, os ideais em que acreditamos.

Precisamos reavaliar nossos valores e propormos, de forma sutil e sem violência, mas com confiança, uma reavaliação de valores àqueles que convivem conosco fora da nossa comunidade religiosa, interagindo de forma mais atuante na sociedade, formando opiniões e propondo reflexões, sem proselitismo. Podemos oferecer um conselho àquele que passa por uma provação; propor um livro ao que não sabe como ocupar a mente de forma saudável ou até mesmo convidar um colega a assistir a uma palestra em um centro espírita… buscar auxílio no templo de umbanda… ou meditar no templo zen budista. O que não podemos, é sermos indiferentes!

(Artigo de Victor Rebelo/Revista Cristã de Espiritismo)

 

TRANSMISSÃO DO PENSAMENTO


Meu fantástico.

Sob este último título, lê-se na Presse littéraire de 15 de março de 1854, o artigo seguinte, assinado por Émile Deschamps: 
"Se o homem não crê senão no que compreende, não creria nem em Deus, nem em si mesmo, nem nos astros que rolam sobre sua cabeça, nem na erva que pisa sob os pés. "Milagres, profecias, visões, fantasmas, prognósticos, pressentimentos, coincidências sobrenaturais, etc., que é preciso pensar disto tudo? Os espíritos fortes disso saem com duas palavras: mentira ou acaso', não pode ser mais cômodo. As almas supersticiosas disso se livram, ou antes, disso não se livram. Prefiro de muito estas almas àqueles espíritos. Com efeito, é preciso ter da imaginação para que se possa tê-lo doente; ao passo que basta ser eleitor e assinante de dois ou três jornais industriais para sabê-lo tão longo e nisso crer tão pouco quanto Voltaire. E depois, gosto mais da loucura do que da insensatez, da superstição do que da incredulidade; mas o que prefiro a tudo, é a verdade, a luz, a razão; eu as procuro com uma fé viva e um coração sincero; examino todas as coisas, e tomei a decisão de não ter partido tomado por nada.

'Vejamos: Que! o mundo material invisível é obstruído de impenetráveis mistérios, de fenômenos inexplicáveis, e não se gostaria que o mundo intelectual, que a vida da alma, que se prende já a um milagre, tivesse também seus fenômenos e seus mistérios! Por que tal bom pensamento, tal fervorosa prece, tal outro desejo, não teriam o poder de produzir ou de chamar certos acontecimentos, bênçãos ou catástrofes? Por que não existiriam causas morais, como existem causas físicas, das quais não se dão conta? E por que os germes de todas as coisas não estariam depositados e fecundados na terra do coração e da alma para eclodirem mais tarde sob a forma palpável dos fatos? Ora, quando Deus, em raras circunstâncias, e para alguns de seus filhos, dignou-se levantar um canto do véu eterno, e difundir sobre sua fronte um raio fugidio da luz da presciência, guarde- mo-nos de gritar ao absurdo e de blasfemar assim a luz e a própria verdade.

"Eis uma reflexão que faço freqüentemente: Foi dado aos pássaros e a certos animais prever e anunciar a tempestade, as inundações, os tremores de terra. Todos os dias os barômetros nos dizem o tempo que fará amanha; e o homem não poderia, por um sonho, uma visão ou sinal qualquer da Providência, ser advertido algumas vezes de qualquer acontecimento futuro que interesse à sua alma, à sua vida, à sua eternidade? O espírito não tem, pois, também sua atmosfera da qual possa sentir as variações? Enfim, qualquer que seja a miséria do maravilhoso neste século muito positivo, haveria ainda encanto e utilidade a isso retratar, se todos aqueles que nisso refletissem fracas luzes reportassem a um foco comum todos esses raios divergentes; se cada um, depois de ter conscienciosamente interrogado suas lembranças, redigisse com boa-fé, e depositasse em alguns arquivos, o relatório circunstanciado do que sentiu, do que lhe adveio de sobrenatural e de miraculoso. Talvez um dia se encontrasse alguém que, analisando os sintomas e os acontecimentos, viesse a recompor em parte uma ciência perdida. Em todo o caso, comporia um livro que lhe valeria muitos outros.

"Quanto a mim, sou aparentemente o que se chama um assunto, porque tive de tudo isso em minha vida, tão obscura aliás; e venho o primeiro depositar aqui o meu tributo, persuadido de que essa visão interior tem sempre uma espécie de interesse. Todo o pequeno maravilhoso que vos dou, leitores, verificou-se na minha vida real; desde que sei
ler, tudo o que me chega de sobre-natural, eu o consigno sobre o papel. São memórias de um gênero singular.

...............................................................

"No mês de fevereiro de 1846, eu viajava pela França; cheguei a uma rica e grande cidade, ia passear diante dos belos magazines, os quais ela tem muito. A chuva começou a cair; abriguei-me numa elegante galeria; de repente eis-me imóvel; meus olhos não podiam se desligar da figura de uma jovem, inteiramente só atrás de uma vitrina de peque- nas jóias. Essa jovem era muito bela, mas não era a sua beleza que me prendia ali. Não sei que interesse misterioso, que laço inexplicável dominava todo o meu ser. Era uma simpatia súbita e profunda, livre de qualquer mistura sensual, mas de uma f orça irresistível, como o desconhecido em todas as coisas. Fui impelido como uma máquina na loja por uma força sobrenatural. Eu comprava alguns pequenos objetos que paguei, dizendo: Obrigado, senhorita Sara. A jovem me olhou com ar um pouco surpreso. -Isto vos espanta, retomei, que um estranho saiba o vosso nome, um de vossos pequenos nomes; mas se quiserdes pensar atentamente em todos os vossos nomes, eu vo-los direi sem hesitar. Pensai nisso? - Sim, senhor, respondeu ela, metade rindo e metade tremendo. - Pois bem! continuei, olhando-a fixamente na testa, vos chamais Sara, Adèle, Benjamine N...- É verdadeiro, replicou ela; e depois de alguns segundos de estupor, ela se pôs a rir completamente, e vi que ela pensava que eu tivera essas informações na vizinhança, com o que me divertia. Mas eu, que sabia bem que disso não sabia uma palavra, fiquei assustado com essa adivinhação instantânea.

"No dia seguinte, e muitos dias seguintes, corri à bela loja; minha adivinhação se renovava a todo momento. Pedia-lhe para pensar em alguma coisa, sem ma dizer, e quase em seguida lia sobre sua fronte esse pensamento não explicado. Pedia-lhe para escrever algumas palavras com um lápis mas escondendo, e, depois de tê-la olhado um minuto, escrevi de minha parte as mesmas palavras na mesma ordem. Eu lia em seu pensamento como num livro aberto, e ela não lia no meu: eis a minha superioridade; mas ela me impunha suas idéias e suas emoções. Que ela pensasse seriamente nesse objeto; que ela repetisse nela mesma as palavras desse escrito, e súbito eu adivinhava tudo. O mistério estava entre o seu cérebro e o meu, não entre minhas faculdades de intuição e as coisas materiais. O que quer que seja, tinha-se estabelecido entre nós dois uma relação tanto mais íntima quanto mais pura.

"Uma noite, ouvi em meu ouvido uma voz forte que me gritava: Sara está doente, muito doente! Corri à sua casa; um médico a velava e atendia uma crise. Na véspera à noite Sara tinha reentrado com uma febre ardente; o delírio continuou toda a noite. O médico me tomou à parte, e me fez entender que temia muito. Dessa posição eu via inteira- mente a fronte de Sara, e minha intuição o trazendo sobre minha própria inquietude: Doutor, disse-lhe baixinho, quereis saber de que imagem seu fervente sono está ocupado? Ela se crê neste momento na grande Ópera de Paris, onde jamais foi, e uma dançarina corta, entre outras ervas, uma planta de cicuta, e a atira exclamando: É para ti. O médico me acredita em delírio. Alguns minutos depois a doente despertou pesadamente, e suas primeiras palavras foram: "Oh! como é bela a Ópera! mas por que, pois, esta cicuta, que me atira esta bela ninfa? "O médico ficou estupefato. Uma poção onde entrava a cicuta foi administrada a Sara, que se achou curada em alguns dias."
Os exemplos de transmissão de pensamento são muito freqüentes, não talvez de maneira tão caracterizada como no fato acima, mas sob formas diversas. Quantos fenômenos se passam assim diariamente sob nossos olhos, que são como os fios condutores da vida espiritual, e aos quais, no entanto, a ciência não se digna conceder a menor atenção! Aqueles que os repelem certamente não são todos materialistas; muitos admitem uma visão espiritual, mas sem relação direta com a vida orgânica. O dia em que essas relações forem reconhecidas como lei fisiológica, ver-se-á se cumprir um imenso progresso, mas só então a ciência terá a chave de uma multidão de efeitos misteriosos em aparência, que ela prefere negar por falta de poder explicá-los à sua maneira e com os seus meios limitados às leis da matéria bruta.
Ligação íntima da vida espiritual e da vida orgânica durante a existência terrestre;
destruição da vida orgânica e persistência da vida espiritual depois da morte; a ação do fluido perispiritual sobre o organismo;
reação incessante do mundo invisível sobre o mundo visível e reciprocamente:
tal é a lei que o Espiritismo vem demonstrar e que abre à ciência e ao homem moral horizontes inteiramente novos.
Por qual lei da fisiologia puramente material poder-se-ia explicar os fenômenos do gênero daquele relatado acima? Para que o Sr. Deschamps pudesse ler tão nitidamente no pensamento da jovem, seria preciso entre ela e ele um intermediário, um laço qualquer. Que se queira bem meditar o artigo precedente, e se reconhecerá que esse laço não é outro senão a irradiação fluídica que dá a visão espiritual, visão que não é detida pelos corpos materiais.

Sabe-se que os Espíritos não têm mais necessidade da linguagem articulada; eles se compreendem sem o recurso da palavra, tão só pela transmissão do pensamento, que é a língua universal. Assim ocorre algumas vezes entre os homens, porque os homens são os Espíritos encarnados, e gozam por essa razão, num grau mais ou menos grande, dos atributos e das faculdades do Espírito.

Mas, então, por que a jovem não lia de seu lado no pensamento do Sr. Deschamps? Por que num a visão espiritual estava desenvolvida, e no outro não; segue-se que ele pôde tudo ver, ler nos espelhos espirituais, por exemplo, ou ver à distância à maneira dos sonâmbulos? Não, porque sua faculdade podia não estar desenvolvida senão num sentido especial, e parcialmente. Poderia ler com a mesma facilidade no pensamento de todo o mundo? Ele não o disse, mas é provável que não; porque pode existir de indivíduo a indivíduo relações fluídicas que facilitam essa transmissão, então que não existem do mesmo indivíduo a uma outra pessoa. Não conhecemos ainda senão imperfeitamente as propriedades desse fluido universal, agente tão poderoso e que desempenha um tão grande papel nos fenômenos da Natureza; conhecemos o princípio, e isso já é muito para nos dar conta de muitas coisas; os detalhes virão a seu tempo.

O fato acima tendo sido comunicado à Sociedade de Paris, um Espírito deu a esse respeito a instrução seguinte:
(Sociedade Espírita de Paris, 8 de julho de 1864. - Médium, Sr. A. Didier.)

Os ignorantes, e deles há muitos, ficam cheios de dúvida e de inquietação quando ouvem falar dos fenômenos espíritas. A crer neles, a face do mundo está transtornada, a intimidade do coração, dos sentimentos, a virgindade do pensamento são lançados através do mundo e entregues à mercê de qualquer um. O mundo, com efeito, estaria singularmente mudado, e a vida privada não teria mais abrigo atrás da personalidade de cada um, se todos os homens pudessem ler no espírito uns dos outros.

Um ignorante nos disse com muita ingenuidade: Mas a justiça, as perseguições de polícia, as operações comerciais, governamentais, poderiam ser consideravelmente revistas, corrigidas, esclarecidas, etc., com a ajuda desses procedimentos. Os erros estão muito difundidos. A ignorância tem isso de particular que faz esquecer completamente o objetivo das coisas para lançar o espírito inculto numa série de incoerências.

Jesus tinha razão em dizer: "Meu reino não é deste mundo," o que significa também que neste mundo as coisas não se passam como em seu reino. O Espiritismo que, em tudo e por tudo, é o espiritualismo do cristianismo, pode igualmente dizer aos ambiciosos e aos terroristas ignorantes, que seu grande objetivo não é dar pedaços de ouro a um, de entregar a consciência de um ser fraco à vontade de um ser mais forte, e de ligar juntos a força e a fraqueza num duelo eterno inevitável e censurado; não. Se o Espiritismo proporciona gozos, são os da calma, da esperança e da fé; se adverte algumas vezes por pres- sentimentos, ou pela visão adormecida ou desperta, é que os Espíritos sabem perfeitamente que um fato seguro e particular não transtornará a superfície do globo. De resto, se se observa a marcha dos fenômenos, o mal tem aí uma parte muito mínima. A ciência funesta parece relegada nos livros velhos dos velhos alquimistas, e se Cagliostro retornasse isso não seria certamente armado da varinha mágica ou da garrafa encantada que ele aparecia, mas com a sua força elétrica, comunicativa, espiritualista e sonambúlica, força que todo ser superior possui em si mesmo e que toca ao mesmo tempo o coração e o cérebro.

A adivinhação era o maior dom de Jesus, como eu o disse recentemente (o Espírito fazia alusão a uma outra comunicação). Estando destinados a se tornarem superiores, como Espíritos, pecamos a Deus uma parte dos raios que concede a certos seres privilegiados, que ma concedeu a mim mesmo, e que pude distribuir mais santamente.

MESMER.

Nota. Não há uma única das faculdades concedidas ao homem da qual não possa abusar em virtude de seu livre arbítrio; não é a faculdade que é má em si, é o uso que dela se faz. Se os homens fossem bons, não haveria nenhuma delas a temer, porque ninguém delas se serviria para o mal. No estado de inferioridade em que os homens ainda estão na Terra, a penetração do pensamento, se ela fosse geral, seria sem dúvida uma das mais perigosas, porque se tem muito a esconder, e muitos podem abusar. Mas quaisquer que sejam os inconvenientes, se ela existe, é um fato que precisa ser aceito de bom ou malgrado, uma vez que não se pode suprimir um efeito natural. Mas Deus, que é soberanamente bom, mede a extensão dessa faculdade à nossa fraqueza; no-la mostra, de tempos em tempos, para melhor nos fazer compreender a nossa essência espiritual, e nos advertir para trabalhar pela nossa depuração para não termos do que temer.
* * *

(REVISTA ESPÍRITA
JORNAL DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS.
-PUBLICADA SOB A DIREÇÃO DE
ALLAN KARDEC )

 

CENSO 2012 REVELA: ESPÍRITAS TEEM MELHORES INDINCADORES DE EDUCAÇÃO e RENDA.

Dados do Censo Demográfico 2010, divulgados nesta sexta-feira (29), mostram que a população que se autodeclara espírita tem os melhores indicadores de educação e renda em relação às demais representações religiosas no país.

Os espíritas têm a maior proporção de pessoas com nível superior (31,5%) e os menores índices de brasileiros sem instrução (1,8%) e com ensino fundamental incompleto (15%). Apenas 1,4% das pessoas que se declararam adeptas desse grupo religioso não são alfabetizadas.

A pesquisa indica ainda aumento da população espírita, que hoje é de 3,8 milhões.

 

Dados do Censo Demográfico 2010, divulgados nesta sexta-feira (29), mostram que a população que se autodeclara espírita tem os melhores indicadores de educação e renda em relação às demais representações religiosas no país.

 

Os espíritas têm a maior proporção de pessoas com nível superior (31,5%) e os menores índices de brasileiros sem instrução (1,8%) e com ensino fundamental incompleto (15%). Apenas 1,4% das pessoas que se declararam adeptas desse grupo religioso não são alfabetizadas.

 

Comparativo 2000 x 2010

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